Foto by Jennifer Glass

quarta-feira, 22 de abril de 2015

IMPREVISTO

trancado 
peito eufórico
silêncio e desejo
acomodados
medo
do que há por vir
ainda aqui
sem sair do lugar
nadar nas marés calmas
mas não é mar
é lago
largo tudo
no escuro da gaveta
e me culpo
em ocupar meu tempo
com coisas bestas
prometo foco
falta pouco
no entanto
tanto...

se a porta abre a covardia fica de lado
não cabe qualquer atraso
mas a porta ainda está fechada
com a chave quebrada dentro da fechadura

segunda-feira, 16 de março de 2015

QUANDO A FOME ENCONTRA A VONTADE DE COMER VOCÊ

Beijo cálido
Atravessa a noite que acordo molhada
Suor, saliva
Lasciva ameaça à calmaria
Atravessa a alma
Gosto doce
Aquece
Hora passa
Agora descamba o que sobra
Suas marcas
Carne
Língua
Longe escorre desejo
Frio na barriga
Disposta a apostar no gozo outra vez


terça-feira, 3 de março de 2015

ATAQUE DE NERVOS OU CIÁTICO NERVOSO OU AINDA AMOR SÓLIDO QUE NÃO É PAÇOCA

Talvez seja a quantidade de fármacos* ou de agulhadas que tomei, talvez seja o barulho de você lavando minha louça enquanto canta Beatles baixinho, mas uma onda de amor e saudosismo tomou conta de mim. Me lembrei da primeira vez que foi embora, aquele olhar prometendo me amar para sempre e por outras vidas também. O que te trouxe aqui hoje -e todas as vezes- é igual ao que te trouxe para mim da primeira vez que nos vimos. Você lembra? Eu estava tão descabelada e desencanada e desprovida de olhar para outra pessoa senão eu, e mesmo assim você me amou! Me amou à primeira vista mesmo, e eu te disse que não acreditava nessa bobagem. Pois paguei minha língua. Liberdade, companheirismo, respeito e maturidade. Muito amor. Vontade de comer a carne e a alma. O olhar atencioso e protetor que nunca podou nenhuma das minhas loucuras! Você sempre as apoiou! E quando me deu aquela bronca dizendo que eu podia ir muito mais fundo como artista, quando amou minha poesia. E quando me ama no dia a dia com toda a controvérsia que parte de mim, com todos os meus deslizes e com toda a minha falta de tato e verborragia. E mesmo quando mando você ir pro inferno, sempre nos cenários mais esdrúxulos, você me beija com mais paixão! (Nessa hora meu coração deve bater umas mil pulsações por segundo!!!) Sei que vai embora de novo. Para ser mais precisa em dezoito dias tudo volta ao (a)normal. Os planos para o futuro estão no mundo sonhos. No dia a dia não é tão fácil se livras das armadilhas do nosso ego. Fotografo em minha alma essa imagem sua lavando minha louça depois de cozinhar o jantar, meu parceiro, gentil cavalheiro que és. Eu quero te amar, sem máscaras nem amarras. Se meus nervos estão à flor da pele, você é aquele que acalma, e SIM, me faz ver que existe amor na patética São Paulo. Você é entrega! Você me inspira! Tchau, amor amigo! Arrivedercí! Vou me despedindo porque os últimos meses foram intensos, e quero sorver nossas despedidas, para que na calmaria eu consiga não perder o foco. Aprendo paciência- necessário!- e me aceito como sou. Amor, sendo amor, amando! Nada de pouco a pouco. Aqui é muito a muito!! Emoticon heart
Obrigada, obrigada, obrigada! Te amo e amo que sempre está aqui. Presente na minha poesia! Emoticon heart
— ouvindo The Beatles à capela, e o barulho da louça limpa sendo colocada no escorredor.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Errante

querem estar certos, sempre...
mas não tem como estarem certos em relação ao que eu sinto. 
nem eu sei ao certo! 
sentir é abstrato e a vida não é uma prova em que você tem que acertar sempre.
as vezes só é preciso que sinta.
mas já são três horas da madrugada e então concordo para poder dormir sossegada.
querem ver, mas na luz apagada não enxergam nada. 
então erro baixinho, num silêncio profundo e só meu.
os meus erros são meus guias!
deles nasce a minha poesia.
deles morro um dia...

#existeamoremSP
#existepoesiaemSP
#deubrancomastôvoltando

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Afago

Não consigo separar as palavras ator e carinho. 
Carinho consigo, com os outros, com o texto, até mesmo com as diferenças. Uma peça só pulsa se construída carinhosamente. 
Tantas possibilidades e às vezes nada encaixa...
Se o carinho estiver esquecido, a auto estima se esvai. 
Difícil trabalhar em ambiente hostil.
(Muitos o são). 
Egos enormes escancarados e não adianta ter disciplina e prazer no fazer teatral.
Os diretores sempre tem os seus preferidos.
No meio hostil sempre é claro quais os são.
Os atores que tem carinho consigo não caem em armadilhas do ego.
Entregam o jogo, se entregam ao jogo!
Porque, afinal, o fazer teatral é o prazer maior! 
Raro ser premiado com um grupo livre de egos.
Obrigada, universo!
Por mostrar que nada se constrói sozinho, o teatro se constrói com amor e pulsação!!! 
Por mostrar que assim como as peças e as temporadas, tudo é efêmero!
A vida é efêmera, um sopro que jajá acaba.
Nada que se faça para ser o favorito vale a pena.
O que vale é estar em cena, pleno!
Alma, corpo, mente! 
Inteiros dentro da história a ser contada!
Mestra minha tia madrinha Aranha!
Me ensina o que é amor ao teatro!
Carinho, estar presente de fato, respeitar o espaço!
Pulso acelerado! 
Carinho por todos os meus colegas atores!
Luz nos nossos caminhos!
Muita cena para nós!!!!
Palco!
Merda!!! 

<3 font="">

"Eu uno minha mão à sua, eu uno meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer, o que eu não quero, não posso e não vou fazer sozinho. Merda"

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Hightech

Viver é complicado e do outro lado do oceano é também. Não adianta iludir-se pensando que seria de outro se tudo é do jeito que é. Você é do jeito que é.  Afinal, somos tantos em um só e por mais centrados e ajuizados sempre acabamos tendo momentos de caos. Além disso tudo, ainda tem os outros com os quais nos relacionamos. E o cansaço que só aumenta ano após ano. Cheios de danos emocionais seguimos adiante e vamos vendo no que vai dar. Frustrações à parte, falta um pouco de generosidade. E gratidão também. Mas tudo bem, consigo entender a amargura. A vida é dura! Mas e daí? O importante é seguir. Sentir está demodê, então só se for escondido. Tem que aparentar ser blasé. Tem que enfiar o coração no cérebro. Calcular, programar, planejar. Nada de amar. Está demodê também. Ame só depois de comprar seu apartamento e conseguir estabilidade no emprego. Ame só depois de cansado do seu próprio bafo. Ame só depois de morto. Ou não ame! Continue juntando dinheiro e talvez amanheça rico um dia. Eu estou demodê. Acredito que amar faz bem pra vida. O pulso acelerado de quando toco sua pele me faz sentir viva. A vida é curta e não quero frear. Quero mais é acelerar. Amar. Morrer de amor se preciso for. Mas sentir que meu coração sou eu inteira, e não um órgão atrofiado preso no cérebro frio e calculista.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Miragem

Este amor
é um equívoco.
Nele fico,
meu vício.
Assumo
em mim
seu gosto...
Dilacera
coração
(congelado
em seu peito).
Meu sangue,
fervendo,
fica frio
ao tentar
reaquecê-lo.
Perde
o ponto
de ebulição.
Perco a linha.
Choro jogada no chão.
Demoro
a entender.

Lá fora o barulho é alto, e aqui dentro também...


sábado, 10 de maio de 2014

Mãe

Carrega
nove meses
para sempre.
Planta
semente
colhe
filho
-aquilo
que chama
amor!
Ensina
o ser
a ser.
Impossível
nascer
sem ela.
Mãe:
aquela
estrela
que sempre
brilha.
Ilumina
os caminhos.
Mesmo
sozinhos
estamos
juntos.
Gravada
eterna
no nosso DNA.

Seu Gosto Na Boca

Acabou a poesia
Procuro palavras mas não encontro
Gostava de como era antes
Seguir adiante
Não adianta entrar em pânico
O sentimento que sai 
Agora é outro
Encaro os fatos
E me afasto
Procuro o silêncio
Não acho
Seus lábios gelaram
Um beijo selou meu medo
Morro esperando um espaço
No seu coração empedrado
Se não, morro de desejo

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Palavra Errada

Não quero a sorte de um amor tranquilo. 
Quero abraços sinceros
e um pouco de vinho.
Quero poder me jogar.

Mas calma!
Dizer 'eu te amo'
causa o mesmo efeito
de um xingamento.

É chique agora ser aquilo que não expressa e que não tem pressa.

Mais que tranquilo:
pisa no freio,
senão não tem jeito
- aborta o amor,
esse excêntrico!

Ele veio na hora errada...
Estapafúrdia piada
sem cabimento.

sábado, 3 de maio de 2014

De Perto Somos Todos Doidos

Por entre o afeto,
correndo,
sedenta passo
passo a passo a seu lado.
Cada carinho
venal,
(matéria prima)
gota a gota
palpita.
Não há o que sacie 
a sede 
de ver-te.
Consome a noite,
a sorte.
Seu beijo demora
minha rima, meu âmago.
Devora-me não romântico.
Solta ando.
Saltando.
Querendo absorver-te todo.
Aos poucos...


terça-feira, 29 de abril de 2014

Madrugada

Desperta sentidos disfarçados de nada.
Na calada da noite ouve-se o silêncio e seus ecos.
De perto ninguém é normal.
Mais anormal que isso!
Não há o que explique
esmagar sentimento
goela adentro.
Lutar com os fantasmas
do apartamento de cima
é balela...
comparada àquela
luta que me espera.
Contra a carne ardendo
(cerne da celeuma).
O único som que escuto,
é do fogo que queima,
que ferve meu sangue.
Me deixa acordada 
pensando em você...

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Mantra

Ser.
Água,
carbono,
luz e sombras.
Reflexo
do sol.
Astro Rei
de nossa galáxia.
Silêncio!
Estou exercitando as asas...

Doido

Ando
solto.
Na alma,
gosto
de resto de sol.
Tempero com mel,
sal,
semente de linhaça.
Antes 
que desfaça,
sonho
um pouco.
Abraço
o tanto tempo 
que passo
pensando 
em você.
Tento
esquecer.
Na pia a louça suja requer uma solução mais urgente.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Meia noite no Pari

Volto de um ensaio de Hedda Gabler, e um senhora senta ao meu lado no metrô. Depois de me observar lendo o texto e as notas da direção, ela começa a dizer "é uma libertação esse fim de Eilert Lovborg" eu fico atônita. É uma das falas finais de Hedda, na cena antes dela cometer suicídio, e eu estou estudando o começo da peça, a cena de Hedda com Sra. Elvsted. 
Olho bem para ela e a reconheço: Nydia Licia Pincherle. Por um instante me hipnotizo por aqueles olhos azuis. 
Ela me pergunta: O que vai fazer agora? 
Não sei o que responder, estou cansada e o ensaio foi só esculacho do diretor. Ele não gosta de mim. Respondo: Queria ir para casa chorar. 
Ela segura minha mão e fala: Vem comigo, você vai se sentir muito melhor. 
Descemos na estação Armênia e começamos a andar em direção ao Pari. Entro no que parece ser um galpão, e lá dentro vejo um palco montado. Um homem più bello passa por mim. É o Walmor Chagas, com seus 35 anos. Nydia me pede para sentar e esperar um pouco que ela já volta. De repente o galpão começa a ficar cheio de gente, todos me olham meio esquisito porque estou de jeans, regata e all star. As pessoas estão extremamente arrumadas e bem vestidas. Toca o primeiro sinal, ainda não estou entendendo nada. Olho para um homem sentado ao meu lado e ele tem um programa de Hedda Gabler nas mãos. A foto da capa é da Nydia moça.  Olho bem para o homem. É o Celi! Meu coração vai na boca. Uma mistura de medo e excitação corre em meu corpo. Toca o segundo sinal. Penso se estou morta, eu bem que desejei me atirar nos trilhos do metrô depois daquele ensaio catastrófico. Concluo que devo, então, ter me atirado. Mas não sinto dor. Não estou toda ralada. Só um pouco descabelada. E com a maquiagem borrada por não ter conseguido conter as lágrimas. Toca o terceiro sinal, todos na platéia continuam esperando, a cortina não se abre. Toca o quarto sinal, toca o quinto sinal... O sinal não tem um som de campainha, ou sino, é um sinal diferente de todos que já ouvi no teatro. Toca o sexto sinal, toca o sétimo sinal. Tem um som de bip. Oitavo, nono, décimo, nada acontece. Décimo primeiro, décimo segundo. Acordo!
Decido nunca mais comer rabada com batatas antes de dormir.

domingo, 20 de abril de 2014

Le Coeur

Escrevi pra você
Apaguei a poesia
O que sinto é intenso
E palavras se tornariam feias
Comparadas aos dias sem freio 
Ou receio ou anseio
Sentidos plenos
Sem fantasia
Não saberia escrever o final...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

o comedor de sonhos

Para Glauber Amaral
sonhou
que o sonho era frango
fraco do estômago
comeu com farofa
agora se afoba
com que sonho sonhar?
o que comer quando o sonho acabar?
(rimar verbo com verbo é feio, mas como é sonho pode comer o verbo!)


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Eu queria ser um homem!
Se eu nascesse menino, minha mãe me chamaria Guilherme. Ela diz que quando estava grávida rezava 'por favor não deixa nascer menino'. Minha mãe queria muito uma menina.
Tenho um pensamento que não me sai da cabeça: será que meu cromossomo Y se transformou em X durante o processo de gravidez? Ás vezes me pego tendo atitudes comportamentais consideradas 'masculinas', como por exemplo fazer a hidráulica da casa, ou carregar um armário, ou falar muitos palavrões (esse impulso tem melhorado depois que larguei o áudio, mas, convenhamos, só tem 'mano' no ramo! Palavrão é quase palavra no backstage técnico...).
O mundo tem mais portas abertas para os homens. Nós, mulheres, podemos até bater, bater, incansavelmente, mas salvo raras exceções, as portas não se abrem. Aí pulamos o muro ou entramos pela janela, e o guardinha te pega lá dentro e te expulsa. O mais triste é que geralmente esse guardinha é mulher. Uma mulher que teve sorte de não ser expulsa quando pulou a janela e agora está lá, ajudando a colocar fermento nesse modus operandi.
Talvez eu esteja na TPM, ou talvez tenha constatado que o leão pode até gostar de você, leoa, mas as hienas que o rodeiam lhe comerão viva se tentar se aproximar. Entretanto, se você for leão - ou hiena, a história já é outra...
Em qualquer uma das hipóteses citadas, volto a afirmar, eu queria ser um homem!
*não trabalho com um gênio por ter nascido rotulada mulher heterossexual
(achei melhor o título desse vir no final)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Passeio Reflexivo

Noite afora. 
Fora do mundo, dentro de mim, que sou o universo todo. 
No fundo existem lugares ainda por ir.
Não cheguei aqui sem dor.
Mas tive que aprender (com um cano enfiado nas costelas) a sorrir enquanto está doendo.
Dá um medo olhar pra si mesmo.
Reconhecer os defeitos
e os desejos.
Dá vontade de ficar aqui dentro.
Sorrir faz andar para frente.
Prefiro jogar o jogo do contente:
onde cristais quebrados filtram a luz do sol em cores.

Incomensurável

(A)Porque você não aproveita o papel de idiota que está fazendo, e assina o recibo também?
(C)Cê acha mesmo?
(A)Sincerão?
(C)Sincerão!
(A- respira fundo e fala, na cara)Acho que você é uma cagona de coração mole. Acorda peste! O mundo está inteiro aí para você descobrir tantas profundezas. E você preocupada com superfícies...

Depois de um breve silêncio mágico, lá embaixo (na Nove de Julho) um motorista enfia o carro no poste. Entre nós apenas olhares e mãos apertadas uma contra a outra. O carro bateu com muita força, parecida com a que tivemos para construir um relacionamento como o nosso. Muitos foram contra, não entenderam. Mas cá estamos, ambos mais fortes, maduros e plenos. Concordamos que crescemos. Que esse amor é joia rara. Que não tem nada no mundo que valha a amizade e lealdade que há entre nós. E que conseguimos desfazer os nós. Criamos laços. Passos que andam sempre lado a lado. E, mesmo se em outro compasso, dançamos a música que a vida toca, ao vivo e sem playback.

sábado, 29 de março de 2014

Pinga

Água 
Mole
Bate
Coração
Mole
Bate
Mente
Mole
Bate
Tentando furar a dureza da vida

quarta-feira, 26 de março de 2014

Átropos

Sempre esperada
quando chega
o corpo acaba
ou começa a acabar
enquanto Láquesis brinca
na Roda da Fortuna
com o fio que Cloto teceu,
fecha a tesoura
a Moira Morta.

Morrem todos!
Morre você,
morro eu.
A terra por cima,
e nada mais importa.

Você

Deleito-me
Delicioso delírio 
Descoberto entre nós

Sós
Ou a sós 
Estamos

Sem planos, desenganos
Profanos
Formando um par 

Perfeito!!

Me enfeito e espero
Sem desespero
Venero

Daqui a pouco as horas passam e cai nos meus braços outra vez

quarta-feira, 19 de março de 2014

Poeminha à nova moda antiga


Vá idade
Vaidade minha
Vai tarde
Ah, dor
Ardor constante
Flamejante
Entranhas abertas
Estranhas
Dispostas inteiras ao seu dispor

sexta-feira, 7 de março de 2014

Águas de Março

Rios 
Riso solto
Gosto de framboesa
Nada a favor da correnteza
Poupa esforço
A distância
Pare (ser)
Desimportante
Dez vezes mais
Cria força
Mas a paz também é boa
Na água calma
Inflama
O entusiasmo acompanha
Não demora
Abril muda tudo outra vez

(não era essa a poesia que estava presa, mas soltar essas palavras já deu um alívio aqui dentro...)

quinta-feira, 6 de março de 2014

Bloqueio Criativo

Tem uma poesia que está.
Aqui, 
na ponta dos dedos,
dos desejos.
Mas não sai...
Fica presa pulsando cada vez mais forte.

Enquanto isso a alma quase explode...

segunda-feira, 3 de março de 2014

Urubu

O polvo tropeça
Urubu pensa que é carniça
Já bica
O polvo não revida
Nem grita
Começa tudo outra vez
Oito vidas
A dor das bicadas
Recheia
Ferida na alma
Pulsa na arte
Incendeia o fundo do (a)mar

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Meio Rivotril

Amassado.
No seu caso,
só isso...

Pílula Pós Purgatório

Finjo 
Fujo
Ranger dos dentes

De repente 
Você 
Volta

Importa 

Aflito
Antes
Agora 
Alívio

Insiste
Imenso
Brinde

Palpite-
Amar
O mar
E você
É todo meu bem querer

Sem máscaras
Cara a cara

Como os amores devem ser



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Leviatã

Na minha bagunça compassada
Cada passo a passo
Pulsa
Em direção ao nada

Na falta afetada
Cada fato
Esfrega
Explode em minha cara

Afaga
Fogo
Faca cega

Estraga entre vãos o afeto
Espera de peito aberto
Mão dadas

Rumo
Concreto
Ao nada

(*Monstro do caos na mitologia fenícia.)

Volátil

Enquanto você digere o jantar da semana passada, bebo um destilado e vou pensando no cardápio da semana que vem. Destilando o veneno enxergo tudo acabar imóvel. Na gaveta do móvel está a chave que você deixou, junto com a chave da felicidade. Não tenho mais idade- nem saúde- para brincar de esconde esconde. Contei até dez e deixei que se fosse. Não vou sair por aí procurando estrelas ocultas. Ninguém tem culpa! Era pra ser do jeito que foi. Sem pensar no depois. Agora estou só, com meu whisky sem gelo. Degelando a geleira que você deixou no vão das tuas respostas...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Crônica do Amor de Um Final de Semana

Todo mundo se acha especial. Ou quer ser especial. Todo mundo quer significar bem mais que troca de fluídos. No meio das inseguranças alheias, lotados de vinho, encontraram-se. Partiram logo para o abraço, porque hoje não se pode perder tempo. Tempo é dinheiro, então pediram meia mussarela, meia calabresa e duas taças do vinho da casa. (Para evitar gastar o tempo olhando o cardápio e para evitar gastar dinheiro- o combo estava na promoção por R$19,90, com mousse de chocolate para dois inclusos como sobremesa).
Devoraram a pizza rapidamente (pois o sabor era velho conhecido de ambos), engoliram o vinho. Ela nem olhou para a sobremesa. Já estava satisfeita. Empanturrada de mussarela e calabresa... 
Todo mundo quer ser especial. Ou se acha especial. Todo mundo sabe que na verdade não significa nada mais que troca de fluídos. No meio das esperanças alheias viram-se. Partiram logo cada um para um lado, porque amanhã faz calor e carne não serve mais para nada. Tempo e dinheiro, então combinaram que quando acabasse a pizza iriam para casa. (Para evitar desgastar o tempo olhando a relação e para evitar desgastar o dinheiro- oferecendo tempo e atenção para o outro).
Se despediram rapidamente (protocolo conhecido por ambos), engoliram o choro. Ele nem olhou para ela. Já estava satisfeito.
Empanturrado da sobremesa.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Rota 69 (ou Como Me Tornei Um Rockstar)

Defenestrou o amor.
Desfalece na calçada.
Embriagada agoniza,
solitária.
Mais uma vodka 
e acha a cura.
Jura nunca mais 
encarar a cara de pau
atrás de felicidade
ou um pouco de gozo.
Jura nunca mais
dar a cara a tapa.
Jura nunca mais
dar.
E a lua prateada
ri 
bem na sua cara.
Sabe que a vodka apaga
-as promessas fracas,
a memória,
a noite passada.

Procura as chaves,
não acha.

Vai dormir na sarjeta outra vez...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

IML

Sopro de vida
Fatalidade
Somos frágeis
Bang bang bang bang
Escorre sangue
Turva o dia
Noite em claro
Esperando entender porque

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Blasé

Derrapo
nas farpas
que solta.
Perco a vez,
mas não
perco a calma.
Mostro
a cara
a tapa.
Seu desafeto
me encara,
balela!
Gira
a Terra,
coisas mudam.
Tudo ocorre
como deveria ser.

Enquanto nãos
e outrossim,
por enquanto,
tanto em mim
deseja.
Plena alma no palco,
que 'é sempre onde estou'*.

Maktub!
Como deveria ser...

*antropofagia da fala de Silvinha Werneck em Cacilda!!!, de Zé Celso.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Resposta

Perto de alcançar o desejo
Paralisa
Treme inteiro
Espera passar um mês e volta
Não importa quanto o queira
Agora é tudo ou nada
Foi dada a largada
A cada passo o passado fica para trás

Tanto faz o medo
Desconsiderado, a coragem é o que resta
Hoje é uma porta
Ontem era fresta
Toma desparalisol em gotas
E anda para frente
Enfrenta o desatino
Agora é tudo ou tudo

sábado, 18 de janeiro de 2014

Santo que Causa

Atira a pedra na janela
Quebra o vidro
Cacos espalham no chão

Enquanto isso um beija flor morre na gaiola

Passa o vento frio
pelo buraco
da janela quebrada

Remenda- saco plástico colado com durex

Nada tão grave
Que durepoxi e um pouco de cola
Não resolvam

Dissolve a esperança
Junto com o sal de frutas
Na água

Enterra o beija flor e arranja um novo vidro

Amanhã o sol nasce

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Santo de Casa(mente)iro

nem eu 
conheço
meu olho 
reflexo
disléxico
do que sonho
ser

tanto eu
como
você
incomensurável prazer
etéreo
inteiro

da cabeça
aos pés
partiu-se ao meio

desejo
pleno
gosto de céu
molhou
a hora
gasta

nada
passa
à toa
engole
a brasa
acesa

dos pés
à cabeça
embaça

o amor chega, bate na porta e fica lá, esperando respostas...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Ins(Pirada)

Vou mentir 
para caber na rima.
Prefiro poesia perfeita...
Candelabro!
Me acabo 
em beleza
que soa
palavra.
Solta, não presa.
Seja sentido.
Alucina-se.
Atônita!
Assim continua rimando o amor,
mesmo se só for,
apaixonite aguda!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

ABERTO

Andei meditando 
Tanto
Sobre o pressuposto
De sermos diferentes
Tantos e tão
No entanto
Queremos que outros
Sejam 
Iguais
Na ideia [Fixa] prolixa
Respeitamos
Nós 
Nossos
Posto que não respeitamos todos

Em desrespeito total
Descartamos
Mais que plástico
Ser humano
Animal fantástico
Descarta pele
Pelo, argumento
Descarta respeito

Sobra uma sombra
Crescente
Dentro



sábado, 4 de janeiro de 2014

(sobre uma conversa que ouvi na praia)

Da série Movimento Metamórfico Metafórico Mundo Afora: 

Você quebrou meu coração,
chorei.
Agora você chora
porque meu irmão quebrou sua cara.
A vida deixa cicatrizes...
Você me deu 
vontade de pular da ponte.
Eu te dei 17 pontos no supercílio,
duas costelas quebradas,
e um monte de hematomas.
Troca justa.
Só não venha me chamar de filha da puta,
nem difamar meu nome.
Você não é homem suficiente para encarar outro encontro com a família.
Depois não diga que não avisei!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Poeminha de amor do dia primeiro

Vele o ciúme
Me leve na pele
Revele a cerne da carne
Encare a cara que te come
Devore
Demore
Melhor assim
Molhado
Caia seu olhar em mim
Pupilas gustativas
Gosto assim

Seu gosto sem fim

domingo, 22 de dezembro de 2013

Ser de Lüzs

Ser amor atrai amor. Claro que atrai uns espíritos obscuros também, esses vêem na luz do amor uma possibilidade para sair de seus buracos solitários. Mas não aguentam tanta claridade e pureza e logo logo voltam aos seus espaços escuros e fétidos. Quem é amor não julga os mal amados. Coitados! Presos eternamente ao próprio hálito! Quem é amor tem brilho nos olhos, pele, palavras e gestos! Quem é amor já está completo!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

(Ex)Purgando


Meu sangue espanhol ferve, fervilha. 
Corre corre nas veias.

O que leva, além de nutrientes?
Tudo, menos paciência.
De repente esquenta!
Então, sai de baixo!!
Acho digno avisar desavisados.
E os recalcados também...
Tô no meu canto,
não desejo mal à ninguém.
Mas mexe comigo:
Te mando ao cu!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Relacionamento

Todo mundo é contra
Mas como sou do contra
Sou à favor!

(poesia rapidinha de um domingo ensolarado)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Dor Que Nos Causa o Mal Alheio ou Porque Discordo do Velho Safado

(ponto de vista dessa poetisa sobre 'sozinho com todo mundo' de Charles Bukowski)

A carne cobre os ossos
e debaixo dela
o desejo lateja.
Não se acha o par ideal
então dá-se um jeito
com o imperfeito mesmo.
Com a mente e nenhuma alma
voltam
à solidão.
Dois sendo dois.
Tornar-se um só
é trabalhoso.
Mas há uma chance qualquer...
Rastejando para dentro e para fora dos leitos
levando consigo o conceito
só. Para fora
raso
vazio
oco.
Carente para dentro.
Riso frouxo,
escarnecido
pela vida
que doeu
em algum ponto.
Confronto.

Preferir ficar sozinho e acabar como o poeta:
Mais uma criatura
atordoada pelo amor.

Quem?

Tem gente que não tá nem aí,
Tem gente que não tá nem;
Tem gente que não tá.
Tem gente que (não).
Tem gente que...
Tem gente!
Tem?

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

LÚCIDO

só.
quero
mais.
tanto 
faz
se
foi
ou
será.
acelera
coração.
acelera!
não
aceita
nenhuma
mazela,
nenhum
desassossego.
se
entrega
inteiro!
sê!
amor
pleno!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Descabido

As palavras pesam e o silêncio também, os minutos se arrastam pelo corredor servindo à distância.
Por aqui tem muito barulho.
Carros, buzinas, furadeiras loucas, bate estacas (mais um prédio se ergue e você não estará lá). 
O alarme que soa bem longe e a chuva pingando no telhado de alumínio...
Porque és escorregadio?
No meu corpo continua impregnado seu cheiro.
Escorre o desejo latejante, flamejante, fulminante!
Espalha pelo corpo inteiro...
E assim morro de amor.
Pulsando disparadamente!
Na sua direção, coração vai na boca.
Eletricamente louca, gasto as palavras que ainda que me restam.
Por aqui tem muito concreto.
Menos nós dois...
Nós somos aéreos, aquáticos.
Terra só para o trabalho.
Somos fogo!
O jogo continua...
Porque não vem logo e acaba com essa fissura?
Sossega, minha carne!
Sossega na tua...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Meditação

Grito forte um rock 
Algo sobre nunca ter sido tiete
Dou um jeito de ficar com você
Não adianta sofrer
Mesmo que te empreste
Todo estoque de sanidade que tenho
Continuarás um doido varrido
A bola da ponderação
Está comigo!
Incrível!
Eu, que sempre fui a maluca
Agora, mais que nunca, 
Preciso ser coerente
Centrada
Pés no chão
Menos coração mais mente!
Muita respiração
Fatalmente faíscas surgirão
Não devo ficar magoada
Até o fim dessa estrada
Pode ser que eu te ensine 
O que é ter etiqueta.
Não...
Melhor ficar quieta!
Menos de dois quilômetros e a estrada acaba.
Então iremos cada um para um lado.
E fim.
Só não vamos nos matar no meio do caminho...

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Leminskiniano ou Porque gosto de escrever coisas curtas

Encanto
Larguei-o em algum canto
Entretanto algum encontro
Alarga o coração

Abrir mão de encantar-se
Cantar se sentir vontade
ou simplesmente
calar-se